Sempre amei cozinhar, desde pequena.
Tenho uma mãe que fugia da cozinha e sempre se escondeu na desculpa da falta de tempo por trabalhar fora. Se tivesse vontade de comer algo especial, deveria comer fora ou improvisar.
Tenho uma mãe que fugia da cozinha e sempre se escondeu na desculpa da falta de tempo por trabalhar fora. Se tivesse vontade de comer algo especial, deveria comer fora ou improvisar.
Quando cresci cozinhar virou um hobby.
Pesquisar livros e vídeos virou terapia.
Me refugiar na cozinha durante a noite e madrugadas com meus experimentos ouvindo Morrissey virou relaxamento.
Olhar a reação das pessoas quando se deliciam virou prazer.
Sempre achei que a arte de cozinhar é uma forma de doar prazer, o prazer do paladar como um dos sentidos mais aguçados e primordiais.
Cozinhar com amor.
Cozinhar com amor.
Todas as vezes que faço um bolo, no momento que coloco cada ingrediente, penso em quem irá saborear. Penso em cada momento especial que passamos e aquilo que desejo que aconteça de bom. Creio que tudo isso possa passar de alguma forma.
Ingerir amor.
Ingerir amor.
Pensamentos que voam enquanto você mistura uma boa massa.
As idéias que necessitam de tempo para ganhar corpo como uma boa fermentação.
Toda a atenção na dosagem para não ficar enjoativo ou injerivel.
Redescobrir os instintos primários que reconhecem individualmente cada sabor e perfume sem o realce de matérias industrializadas, manipuladas e modificadas.
Redescobrir os instintos primários que reconhecem individualmente cada sabor e perfume sem o realce de matérias industrializadas, manipuladas e modificadas.
Como no dia a dia... Redescobrir, criar, ousar, impressionar, conquistar, amar!
Vejo a cozinha assim...

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